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A visita sempre nos traz surpresas!

*Imagem: Ilustração de Diogo Barros

Texto do educador Bruno Melo sobre as experiências de visita e os relatos colhidos com o público durante a programação Experimentando o Museu de agosto com o tema “Identidades Paulistanas: o que eu trago? o que eu levo?”. Esse é o quinto de uma série de textos elaborados pelo Educativo da Casa-museu Ema Klabin.

Percebo que, tanto do ponto de vista do envolvimento com a criação do roteiro quanto da exposição, a visita permitiu uma integração muito grande e potente com os livros e documentos apresentados nos cômodos da casa. Mas, até então, eu não tinha aplicado ela, não sabia o que esperar.

A mediação nesta visita possibilitou uma troca pontual cheia de descobertas, que só é possível pelos questionamentos que a relação com o visitante permite. Como me identifico com o visitante? Quais são as coincidências de experiências que temos em comum em relação às identidades paulistas?

A escuta acerca dos temas que envolvem todo o universo complexo das identidades paulistanas, mesmo de quem não mora aqui, em geral se direcionam muito os aprendizados e experiências bastante pessoais e intimas ligada a história individual de cada visitante. Sua participação ativa dita os rumos das discussões possíveis dentro deste roteiro.

Conforme o intercâmbio de vivências vai se desenrolando, os caminhos de reflexões podem ir à diversas direções e criam, consequentemente, uma experiência única a cada visita.

E aí que essa troca me pegou.

Essas conversas me fizeram lembrar de lugares e situações conectadas com os relatos, principalmente em relação a perceber o quanto o transporte dita seu caminho, de como somos destinados a passar por lugares repetidas vezes pelo mesmo trajeto, observando a cidade por uma janela de vidro. Este vidro que separa os caminhos que você poderia ir, que separa os objetos ao seu redor, que te protege do vento e da chuva mas que te faz ver o resto da cidade.
Não tinha parado para refletir sobre esse condicionamento diário na cidade e como ele dita até onde podemos chegar, e isso só foi possível exatamente por conta dessa visita.

É engraçado como a intimidade se dá a partir destas conexões, como eu iria refletir sobre isso se não fosse esse roteiro?

Convido também você, leitor, a refletir sobre as possíveis relações que você tem com a cidade que você mora!


Finalizo aqui meu relato com a transcrição de Diogo Barros e seu desenho, resultado da atividade no fim da visita.


→ Confira também os outros textos que pertencem a série de depoimentos acerca da exposição Vozes dos Livros por Cristiane Alves, Felipe Azevêdo, Isabela Gonçalves e Rodi Ludwig.

+ do blog:

Entrevista com Geovana

Nos bastidores do museu

Entrevista com Fanta Konatê

Bruno Melo

É graduando no Centro Universitário Belas Artes de São Paulo em Artes Visuais, Pintura, Gravura e Escultura. Atua como artista visual e compõe a equipe educativa da Fundação Ema Klabin.

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