São Paulo Caipira

Tardes Musicais
Osni Ribeiro

→ apresenta São Paulo Caipira

Tardes Musicais | Osni Ribeiro apresenta São Paulo Caipira

Sábado, 17/08/2019 às 16:30

gratuito

150 vagas por ordem de chegada

*Imagem: Aline Grego

São Paulo Caipira traz, no formato de canção, as crônicas de campo e cidade, as paisagens e os sentimentos dos homem comuns, recortes de tempos passados que confluem aos dias de hoje.

Da vila de São Paulo de Piratininga – peixe seco – alusão ao primeiro povoamento afastado do litoral, até a boca do sertão, morada dos Caipiras – peixes do mato – onde caboclos, cafuzos e mamelucos deram protagonismo ao amálgama cultural de todo o povo de São Paulo – paulistas e paulistanos.

A SÃO PAULO CAIPIRA

A saudade é o sentimento que sustenta a alma caipira dentro da cidade de São Paulo. Porém, os elementos objetos dessa saudade constituiram-se cotidianamente, década após década, pela troca de informações entre os habitantes da capital e os do interior.

O primeiro fluxo acontece de forma exclusivamente oral, recolhido e transportado em lombo de burro e canoa, por tropeiros e bandeirantes. A partir de 1870, com o início do transporte ferroviário, esse fluxo se intensifica, assim como a velocidade com que as influências incorporam-se aos cotidianos das pessoas. Na década de 20 do século XX, o surgimento do rádio modifica radicalmente os processos de transmissão de conhecimento. Com os meios magnéticos de gravação, o que era transmissão oral passa a ter registros sonoros que, aliados à imprensa, permitem recortes históricos de fatos e épocas passadas. Depois vieram as rodovias, a televisão, os computadores, a internet, enfim, vários avanços tecnológicos que embaralharam o jogo desses processos de construção de identidade sociocultural rotineira dos séculos passados. E a cidade de São Paulo transformou-se num grande polo irradiador e receptivo.

Se a capital paulista acolhe, integra e assimila populações e culturas, a música caipira paulista, por sua vez, acolheu, integrou e assimilou influências estéticas e musicais conforme sua consolidação como estilo musical. A célula original dessa música, mistura das violas portuguesas com a rítmica indígena e cantos litúrgicos populares, foi assimilando elementos da cultura negra, dos imigrantes, das regiões fronteiriças à Paulistânia e depois até de outros países.

Um marco importante da conexão caipira com a capital é o ano de 1910, quando o jovem Cornélio Pires organiza folguedos caipiras no Colégio Mackenzie. As duplas de cantadores, catireiros, curueiros apresentando-se num colégio da elite paulistana representaram mais um passo para a divulgação da cultura caipira, que começou a ser esboçada por meio das pinturas de Almeida Jr., atingindo o climax quando, novamente Cornélio, produz os primeiros registros fonográficos dessa música do interior, no final da década de 20.

Os discos, custeados por Cornélio, também marcam a primeira produção independente da indústria fonográfica brasileira. Com o rádio chegando aos mais distantes rincões, o disco registrando as criações e as porteiras abertas para os caipiras adentrarem na capital, a semente estava lançada. De lá pra cá romperam-se as fronteiras. Os caipiras apropriaram-se das ondas do rádio, auditórios, programas. Dirigiram gravadoras e consolidaram a inserção da música caipira no âmago da alma paulistana. Veio a era de ouro dos festivais da MPB e alguns compositores voltaram seus olhares e ouvidos para esse rico manancial e começaram a incorporar elementos da música caipira em suas obras.

Podemos encontrar exemplos em canções célebres como Ponteio (Edu Lobo/Capinam), A Estrada e o Violeiro (Sidney Miller), Disparada (Theo de Barros/ Geraldo Vandré). Essa fusão veio pra ficar e ampliar ainda mais o espectro da música caipira inserida em outras vertentes musicais, passando de gênero que recebia influências a gênero de influência direta no trabalho de muitos artistas.

E veio o Som Brasil – hoje Sr. Brasil, o Viola Minha Viola e muitos outros programas do gênero. E fizeram história, com a vida e canções, Cornélio Pires, Raul Torres, Carreirinho, Angelino, Tião Carreiro, Teddy Vieira, Inezita, Serrinha, Tonico e Tinoco e toda a turma caipira… E continuamos fazendo história com os mestres Rolando Boldrin e Renato Teixeira e uma grande e expressiva diversidade de caipiras contemporâneos – Paulistas e Paulistanos.

IDENTIDADES PAULISTANAS

Numa via de duas mãos, a população de São Paulo seguiu da capital para o interior, em tropas e bandeiras e mais tarde em busca de novas oportunidades, de trabalho no campo, nas lavouras de café e outras. Constituiram-se nos rincões caipiras novas famílias. Afloraram novas culturas. A via de retorno acentua-se com o êxodo rural e o fortalecimento da indústria que ensejou o retorno dessas populações interioranas para a capital, associado aos movimentos migratórios de outros estados e regiões transformando a cidade de São Paulo no maior centro populacional do país. Uma metrópole onde a modernidade convive com o tradicional, onde os povos de etnias diversas, de culturas e hábitos diferentes, de classes sociais contrastantes, encontram-se na mesma rua.

A identidade de um povo consolida-se com o tempo, em aprendizados, trocas, emoções, vivências, sensações e sentimentos. E são os sentimentos que movimentam, conduzem a sinergia dessa construção, catalisam isso tudo e, sem que a gente perceba, depositam os conteúdos em nosso inconsciente. Dos sentimentos que incutiram à identidade paulistana elementos da cultura caipira podemos apontar um deles como fundamental: a saudade. Muitas vezes a saudade do que nem vivemos, mas que transpira, paira no ar, no seio da família, nas rodas de amigos. E assim começa o nosso caminho, embalado pela saudade, para descobrir a cidade que embala cada um de nós.

COM:

  • Osni Ribeiro é violeiro, compositor e apaixonado pela música e cultura caipira. Com mais de 30 anos de carreira, está lançando novo álbum – Arredores – onde mescla trabalhos autorais e clássicos da música raiz e desenvolve projetos de pesquisa e difusão da música regional paulista, inclusive a música caipira.
  • Arnaldo Silva – violão e vocal: Com sólida formação em violão clássico e também bom compositor, encontrou resposta aos seus anseios artísticos na arte educação e em trabalhos que recuperam a memória da música brasileira, seja no samba com o grupo Moreiras da Silva ou na música caipira com os violeiros Rubens Brito e o Osni Ribeiro.
  • Marcos Lopes – acordeom: De família de músicos, o jovem acordeonista vem conquistando destaque como instrumentista, seja atuando em estúdios de gravação, acompanhando outros artistas, integrando grupos de bailes ou desenvolvendo trabalho exclusivamente instrumental encabeçando o grupo Aerofole.