Romain Dusmesnil

Hóspede
Romain Dumesnil

→ Lapso

Hóspede | Romain Dumesnil

Sábado, 08/06/19, das 14:00 às 18:00. Em exposição até 30 de junho.

De quarta a sexta R$10,00 inteira e R$5,00 meia. Sábado, domingo e feriados entrada gratuita.

*Imagem: Romain Dumesnil

A Fundação Ema Klabin dá continuidade a série Hóspede, com curadoria de Gilberto Mariotti.

Trata-se de um convite para que trabalhos de arte contemporânea sejam hospedados pela Fundação Ema Klabin por um período de um mês e possam conviver proximamente com uma das obras de seu acervo, acompanhados por um texto que propõe uma relação entre o trabalho hospedado e a obra anfitriã. Esta edição conta com um trabalho de Romain Dumesnil, “Lapso”, de 2017, exposto em relação com a obra “Torre de Babel”, de um seguidor não identificado da escola de Bruegel, séc. XVII.

Lapso de linguagem

Ao estrangeiro que habite o português, nossa realidade movediça, contraditória, embora familiar para nós em sua falta de sentido, resta a coleta de fragmentos deste mundo que o estranha. Peças soltas, se reunidas como numa colagem improvisada podem produzir, em contato com outras, novos sentidos, mas nem por isso deixam de falar de sua origem. Remetem tanto ao deslocamento quanto à identidade. “O tema da Torre de Babel, na idade moderna […], é uma consequência da expansão europeia pelo mundo. É a expressão de um “olhar mundo”, fruto dos encontros e desencontros de povos, costumes e culturas proveniente de uma primeira leva da globalização […]. A Torre de Babel coloca a capacidade de traduzir como um fio de Ariadne. É o meio para sair do labirinto da incomunicabilidade que caracteriza a “máquina do mundo” em que vivemos” .

No horizonte de quem vaga por língua estranha pode despontar este edifício impossível, cuja falha de projeto se avista de tão longe. Distante, é denunciado por sua pretensão, e próximo, se traveste em cidade (tão grande é a extensão de suas fundações), indo de obstáculo sedutor à conquista inalcançável. Ao subir infinitamente por suas escadas tortuosas, atravessar seus cômodos conjugados, o estrangeiro terá habitado por anos nenhum outro lugar senão a própria língua, nenhum outro campo que não o da fronteira. Ingrata a tarefa da representação: contrapor, mapa mundi em mãos, as bordas dos tais “encontros e desencontros”, numa movimentação conflituosa de territórios, as fronteiras da língua que definem, conceituam, dão fim à realidade: “O eixo que une os dois polos é a linha ao longo da qual a língua se projeta a partir do calar-se autêntico, ou vice-versa, ao longo da qual a língua decai em direção do calar-se autêntico. […] A conversação que somos, e que é toda realidade, surgiu e sempre surge do indizível, o nada” . Resta sempre algo que, por sua ausência, conecta dois polos opostos. Dois mundos que, mesmo ao se ignorarem, possibilitam, um ao outro, sua existência.

Hóspede - Romain Dumesnil | Lapso

Curadoria de GIlberto Mariotti.
Artista convidado: Romain Dumesnil.
Produção Renê Foch.
Comunicação Visual: Lívia Silva

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