Ecos do Modernismo

→ Mulheres na Coleção Ema Klabin

*Imagem: Ema Klabin, anos 80. Acervo Casa Museu Ema Klabin

A série de textos “Ecos do Modernismo – Mulheres na Coleção Ema Klabin” traz como enfoque o papel determinante das mulheres para o fomento das artes na cidade de São Paulo.

Ema Klabin, Jenny Klabin Segall, Miná Klabin Warchavchik e Yolanda Penteado, são algumas das mulheres que atuaram como mecenas e articuladoras culturais, ajudando a disseminar os ideais modernistas e fazendo-os reverberar para além da Semana de Arte Moderna de 1922.

A cada semana, você confere um texto sobre uma personagem marcante na história do Modernismo na cidade de São Paulo.

Ecos do Modernismo – Mulheres na Coleção Ema Klabin

Por Cristiane Alves

Hoje, ante às comemorações que marcam o Centenário da Semana de Arte Moderna gostaríamos de propor uma reflexão acerca do Modernismo Brasileiro, trilhando outros caminhos que fogem à história das vanguardas artísticas que revolucionaram os cânones da Arte Brasileira. 

A Semana de Arte Moderna foi realizada em um contexto histórico no qual as conjunturas política e social foram decisivas para o panorama da arte, resultando na realização da Semana e seus desdobramentos no cenário artístico e na sociedade como um todo. 

Todavia, a Semana de 1922 articulou uma rede muito mais ampla e que nos permite, hoje, uma compreensão crítica sobre a vida cultural da cidade de São Paulo, seus agentes e instituições determinantes para a construção do Modernismo na metrópole. 

E isso nos leva ao tema deste texto: para além dos artistas e intelectuais constantemente mencionados pela história e história da arte, quais outros agentes fomentaram a cultura e a arte na cidade? 

Ainda somos tributários de uma história hegemônica e eurocêntrica que privilegia as figuras masculinas de classes sociais abastadas e que omite aspectos que fogem à linearidade normativa do esperado.

Neste contexto, convidamos ao questionamento: qual o protagonismo feminino no Modernismo? De pronto teremos respostas: Anita Malfatti, sempre lembrada pelo atravessamento da crítica de Monteiro Lobato, Tarsila do Amaral, uma artista ícone do Modernismo brasileiro — o que nos leva a pensar em outras que não tiveram a mesma projeção —, Patrícia Galvão, a Pagu, exemplo de transgressão no comportamento feminista, mas também vista através de seu relacionamento com Oswald de Andrade. Essas artistas, ícones do Modernismo ganharam projeção e estão frequentemente em nossas aulas de história e de arte. 

Neste texto, convidamos a pensar em algumas outras personagens: mulheres que tiveram um papel importante na construção e no fomento das artes e da cultura na cidade cuja atuação foi determinante na preservação do patrimônio cultural modernista e na disseminação dos seus ideais para além da Semana de 1922.

Nesta perspectiva, partimos do universo da Casa Museu Ema Klabin para propor como enfoque estas mulheres que contribuíram como articuladoras das artes e no fomento da cultura na cidade: a própria colecionadora Ema Klabin, Jenny Klabin Segall, Mina Warchavchik, Yolanda Penteado e Lucy Citti Ferreira. Mulheres nem sempre lembradas! Mulheres que em muitos aspectos romperam padrões, talvez de forma não tão revolucionária, mas nas pequenas transgressões cotidianas! 

Venha conosco nesta série!

Ema Klabin (1907 – 1994)

Por Felipe Azevêdo e Rosi Ludwig

Ema Gordon Klabin nasceu em 1907, filha de Fanny Gordon Klabin e Hessel Klabin, imigrantes lituanos que se estabeleceram no ramo da indústria de papel e celulose. Em 1899, seu pai Hessel fundou, junto com os irmãos e cunhado, a Klabin Irmãos & Cia., iniciando um período de ascensão financeira da família

Ema foi uma mulher independente e à frente do seu tempo, escolhendo não constituir família e se dedicar a sua atuação como colecionadora, mecenas e empresária. Na década de 1940, ocupou o lugar de seu pai no conselho diretor da Klabin Irmãos e Cia.

Também teve forte atuação como filantropa, doando o terreno e ajudando a levantar fundos para a construção do Hospital Israelita Albert Einstein. Como mecenas, ajudou a fundar a Orquestra Filarmônica de São Paulo, a criar a Fundação Magda Tagliaferro e fez parte do Conselho de importantes instituições da cidade de São Paulo, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Museu de Arte Moderna (MAM) e a Fundação Bienal, nas quais articulou ações de fomento à vida cultural da cidade.

Nos anos de 1960, em conjunto com outras importantes senhoras da comunidade israelita, organizou uma série de leilões de arte moderna brasileira em prol da construção do Hospital Albert Einstein. Esses leilões, junto às primeiras Bienais, foram importantíssimos para consolidar o gosto pelo colecionismo de artistas modernistas brasileiros, especialmente os da Semana de 22.

Ao mesmo tempo, Ema reuniu uma extensa coleção de arte que tem como maior característica a diversidade, abrangendo peças arqueológicas, artes decorativas, mobiliário, pinturas e esculturas. Dentro da Coleção Ema Klabin, as pinturas de grandes mestres europeus recebem um grande destaque. A aquisição de obras do modernismo se deu de forma tardia, dando prioridade a nomes consolidados como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari e Lasar Segall.

Podemos considerar seu colecionismo como o projeto de sua vida, se estendendo por quase 40 anos, da segunda metade da década de 1940 até meados dos anos de 1980. Como não teve herdeiros diretos, em 1978, Ema decidiu criar uma fundação que levaria seu nome e teria como sede a sua residência no bairro do Jardim Europa, dedicando-se à manutenção de sua coleção, à pesquisa, difusão de conhecimento e à realização de atividades culturais.

Após a sua morte, em 1994, foi dado início a consolidação da Fundação Cultural Ema Gordon Klabin, hoje Casa Museu Ema Klabin. A catalogação da coleção foi iniciada em 1997, realizada pelo atual curador Paulo de Freitas Costa, e a casa museu abriu suas portas ao público em 2007. 

A Casa Museu Ema Klabin se firmou no cenário cultural e artístico de São Paulo como um espaço que promove o diálogo da Coleção com as reflexões contemporâneas, sendo um dos poucos museus dessa tipologia na cidade. 

Colaboração: Lethicia Gomes.

Confira a agenda de publicação dos posts da série Ecos do Modernismo:

  1. Introdução + Ema Klabin (14/4)
  2. Jenny Klabin Segal (21/4)
  3. Miná Klabin Warchachik (28/4)
  4. Yolanda Penteado (5/5)

 

Bibliografia

DE FREITAS COSTA, Paulo (ORG.). A coleção Ema Klabin. 1. ed. São Paulo: Fundação Cultural  Ema Gordon Klabin, 2017. 

DE FREITAS COSTA, Paulo. A Rua da Casa Portugal. Catálogo de exposição. Fundação Ema  Klabin, 2014 

DE FREITAS COSTA, Paulo. Sinfonia de objetos: a coleção de Ema Gordon Klabin. São Paulo:  Editora Iluminuras Ltda, 2007. 

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