Gilda de Mello e Souza

Jornada em homenagem a Gilda de Mello e Souza

*Imagem: Foto do Arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros USP – Fundo Gilda de Mello e Souza, código do documento GMS-F080-001.

Jornada em homenagem a Gilda de Mello e Souza

Silvio Rosa, Priscila Loyde Gomes Figueiredo, Suzana Avelar, Brunno Almeida Maia, Celso Lafer, Walnice Nogueira Galvão, Renato Janine Ribeiro e Jorge Coli

Sexta-feira, 06/12/2019 das 9h às 18h30

Gratuito

Por ocasião do centenário de nascimento da ensaísta, crítica de arte e professora universitária Gilda de Mello e Souza (1919-2005), a Fundação Ema Klabin promove jornada, composta por mesas temáticas e homenagem, com a participação de professores da USP, UNIFESP e UNICAMP.

A jornada integra a temática “Identidades paulistanas” da programação de 2019 e tem como objetivo a incursão pelas suas principais obras, como O tupi e o alaúde: uma interpretação de Macunaíma (1979), Exercícios de leitura (1980), Os melhores poemas de Mário de Andrade – Seleção e apresentação (1988), O espírito das roupas: a moda no século dezenove (1987), A ideia e o figurado (2005) e o livro póstumo  A palavra afiada organizado por Walnice Nogueira Galvão (2014).

Na mesa de abertura, O Brasil como ideia, com o Professor Silvio Rosa e a Professora Priscila Loyde Gomes Figueiredo, os participantes poderão conferir a abordagem dos ensaios de Gilda que permitem delinear uma ideia bastante específica a respeito do Brasil. “Seja de modo explícito, nos textos em que ela distingue a presença de pensadores franceses no país (Roger Bastide e Jean Maugüé) ou brasileiros (notadamente ao tratar de Macunaíma), seja de modo implícito em estudos dedicados à dramaturgia (Antígona) ou ao cinema (Fellini, Visconti) – um certo conceito do Brasil parece tensionar seus escritos e colocar questões relevantes para pensarmos a nossa atualidade”, refletem os convidados da mesa.

Na segunda mesa temática, O instante das formas: sobre o espírito das roupas e o espírito do tempo, a Professora Suzana Avelar e o Professor Brunno Almeida Maia irão refazer o caminho da tese de doutoramento de Gilda de Mello e Souza, A Moda no Século XIX: Ensaio de Sociologia Estética, defendida em 1950 na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), sob orientação do sociólogo francês Roger Bastide (1898-1947) e publicada, em 1987, pela recém fundada Editora Companhia das Letras. A partir deste livro e de A ideia e o figurado (Editora 34, 2005), os convidados da mesa investigam as relações da moda com a filosofia, com a arte e com a literatura.

A mesa de encerramento e de homenagem terá a participação daqueles que conviveram, pela amizade e pelo intelecto, com Gilda de Mello e Souza, como Celso Lafer, Diretor-Presidente da Fundação Ema Klabin e Professor Emérito da USP; Walnice Nogueira Galvão, professora emérita da USP; Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da educação (2015), professor titular da USP e professor visitante da Unifesp; e Jorge Coli, professor titular da UNICAMP.

A relação de Dona Gilda com a Fundação Ema Klabin, nasceu a partir de 1997, ano em que tiveram início os trabalhos de catalogação do acervo da futura instituição. Na ocasião, Gilda, casada com o crítico literário, ensaísta e professor da USP, Antônio Candido de Mello e Souza (1918-2017) – que foi membro do Conselho da Fundação – contribuiu, de forma arguta e sensível, na definição inicial da identidade da Fundação e do significado do colecionismo.

Gilda Rocha de Mello e Souza

Nascida em 1919, em São Paulo, foi ensaísta, crítica de arte e professora universitária na área de estética. Ao longo de sua trajetória intelectual, um pensamento crítico, que aliava o vasto conhecimento da cultura filosófica, sociológica e literária da formação ocidental - nas áreas de teatro, cinema, literatura, moda e artes plásticas - com a constante preocupação em estabelecer diálogos, tensões e ressonâncias, entre a produção intelectual europeia e a atualização do pensamento na realidade brasileira.
Pertenceu à primeira geração de jovens intelectuais que formaram a identidade da Universidade de São Paulo. Ingressou, como aluna, entre os anos de 1937 a 1940, na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras (FFLC). Sua carreira como docente universitária, iniciou-se nos anos de 1942, como assistente na cadeira Sociologia I, pertencente ao sociólogo francês, radicado no Brasil, Roger Bastide (1898-1947). Sob a orientação de Bastide, defendeu, em 1950, a tese de doutorado em Ciências Sociais, intitulada A moda no século XIX: Ensaio de sociologia estética, publicado, inicialmente, na Revista do Museu Paulista, e, anos mais tarde, em 1987, pela estreante Editora Companhia das Letras, sob o título O espírito das roupas: a moda no século dezenove.
Como uma das primeiras mulheres ingressantes na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras (FFLC), Gilda nunca se esquivou da beleza que é a coragem, seja ao assumir o cargo de chefe do Departamento de Filosofia da USP, entre os anos de 1969 a 1972, no auge da Ditadura Militar no Brasil, no espírito combativo, via intelecto, ao fundar a Revista Discurso, no ano de 1970, pela escolha de temas, como o da Moda, aparentemente insignificantes ou fúteis aos olhos da Academia, ou pelo entendimento da vida humana na figura da mestra, a prontidão exigente com os estudantes, uma conversa sobre o último filme em cartaz dos italianos, ou os sábios conselhos culturais, artísticos, de moda e gastronômicos aos orientandos em suas primeiras viagens acadêmicas ao exterior.
Com uma atenção especial à pesquisa da obra de seu tio Mario de Andrade (1893- 1945), Gilda publicou em vida os seguintes títulos: O tupi e o alaúde: uma interpretação de Macunaíma (1979), Exercícios de leitura (1980), Os melhores poemas de Mário de Andrade. Seleção e apresentação (1988), O espírito das roupas: a moda no século dezenove (1987), A ideia e o figurado (2005). Morreu na cidade de São Paulo, em 25 de dezembro de 2005, deixando uma obra de fôlego, que a cada ano é redescoberta por jovens estudantes e pesquisadores. Obras que sem dúvidas expressam um conceito da própria Gilda em O espírito das roupas, a “caligrafia dos gestos”, não apenas como criação estilística no vestir, mas, também como figuração do incansável pensamento de sua autora. Um pensamento que é texto e tecido, também gesto - na vida e na obra - feito de “forma artesanal”, vivo, com tramas, urdiduras, dobras, e que se priva, justamente por isso, ao caráter fechado e autoritário das imediatas significações. Um pensar como “inacabado” e “acabado”, como pretendia, para a obra de arte, O Banquete (1943) de Mario de Andrade, enquanto forma que ao respeitar o espírito em movimento faz justiça à liberdade.

Organização:

Fundação Ema Klabin
Prof Dr. Silvio Rosa Filho
Profa. Dra. Lilian Santiago
Prof. Ms. Brunno Almeida Maia

Mesa 1 - O Brasil como Ideia | Jornada em homenagem a Gilda de Mello e Souza

Prof. Dr. Silvio Rosa Filho e Profa. Dra. Priscila Loyde Gomes Figueiredo

dia 6/12 das 9h às 12h

Gratuito

35 vagas por ordem de inscrição

O Brasil como Ideia

Os ensaios de Gilda de Mello e Souza permitem delinear uma ideia bastante específica a respeito do Brasil. Seja de modo explícito, nos textos em que ela distingue a presença de pensadores franceses no país (Roger Bastide e Jean Maugüé) ou brasileiros (notadamente ao tratar de Macunaíma), seja de modo implícito em estudos dedicados à dramaturgia (Antígona) ou ao cinema (Fellini, Visconti) – um certo conceito do Brasil parece tensionar seus escritos e colocar questões relevantes para pensarmos a nossa atualidade.

Prof. Dr. Silvio Rosa Filho. Professor Associado do Departamento de Filosofia, Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo-Guarulhos.
Profa. Dra. Priscila Loyde Gomes Figueiredo. Professora do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo.

Inscrições

Mesa 2 - O instante das formas: sobre o espírito das roupas e o espírito do tempo. | Jornada em homenagem a Gilda de Mello e Souza

Profa. Dra. Suzana Helena de Avelar Gomes e Prof. Ms. Brunno Almeida Maia

dia 6/12 das 13h às 16h

Gratuito

35 vagas por ordem de inscrição

O instante das formas: sobre o espírito das roupas e o espírito do tempo.

A partir dos livros A ideia e o figurado (Editora 34, 2005) e O espírito das roupas: a moda no século dezenove (Companhia das Letras, 1987), de Gilda de Mello e Souza, trata-se de investigar as relações da moda com a filosofia, com a arte e com a literatura, entrelaçando-a com o conceito de “filosofia do instante”, presente nas análises de “Dona Gilda”, sobre a literatura de Clarice Lispector e o cinema dos anos 50, 60 e 70.

Como recorte sociológico, temas como as relações de gêneros, o papel social da mulher e do homem, a construção simbólica do feminino na recente história da moda, a luta de classes no século XIX, e a manifestação pelas formas da cultura – incluindo a roupa, o cinema e a literatura – do espírito do tempo.

Profa. Dra. Suzana Helena de Avelar Gomes. Professora do Curso Têxtil e Moda, Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade São Paulo - Leste.
Prof. Ms. Brunno Almeida Maia. Mestrando em Filosofia pelo Departamento de Filosofia, Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo - Guarulhos

Inscrições

Mesa de Homenagem | Jornada em homenagem a Gilda de Mello e Souza

Dr. Celso Lafer, Prof. Dr. Renato Janine Ribeiro, Profa. Dra. Walnice Nogueira Galvão e Prof. Dr. Jorge Coli

dia 6/12 das 16h30 às 18h

Gratuito

150 vagas por ordem de chegada

Mesa de Homenagem

Dr. Celso Lafer. Presidente da Fundação Ema Klabin e professor emérito da Faculdade de Direito da USP
Prof. Dr. Renato Janine Ribeiro. Ministro da Educação (2015). Professor Titular de Ética e Filosofia Política, Universidade de São Paulo. Professor Visitante, Universidade Federal de São Paulo.
Profa. Dra. Walnice Nogueira Galvão. Professora Emérita aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (USP).
Prof. Dr. Jorge Coli. Professor titular do Departamento de História da Arte e da História da Cultura, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas.

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