Palestra presencial | As gravuras de Poty no livro Canudos da biblioteca de Ema Klabin
Luiz Armando Bagolin
sáb, 9 mai 2026
das 11h às 13h
taxa de inscrição R$ 10
35 vagas por ordem de inscrição
Imagem: Ilustração de Poty Lazzarotto do álbum Canudos, edição publicada pela Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil e pertencente à Coleção Ema Klabin. Foto: Gabriel Araújo/Arquivo Casa Museu Ema Klabin
Este encontro propõe uma leitura do álbum Canudos da edição publicada pela Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, em 1956, e pertencente à Coleção Ema Klabin, como um objeto crítico complexo, no qual texto, imagem e materialidade gráfica constituem um sistema integrado de produção de sentido.
Mais do que uma edição de luxo de Os Sertões, trata-se de um dispositivo de leitura no qual as águas-fortes e águas-tintas do artista Poty Lazzarotto não funcionam como ilustrações decorativas, mas como atos interpretativos, capazes de comentar, tensionar e por vezes deslocar a narrativa de Euclides da Cunha. O encontro parte do princípio de que cada gravura opera como uma forma de leitura materializada, em que escolhas de corte, elipse, escala, atmosfera e tipificação produzem uma verdadeira gramática visual do texto.
Ao trabalhar diretamente com o exemplar original da Coleção Ema Klabin, a conferência enfatiza a dimensão material do livro como experiência: o ritmo imposto pelas imagens, a cadência entre texto e pausa visual, a força física do papel, da mancha, da linha gravada.
Nesse contexto, a técnica deixa de ser mero procedimento artesanal para se afirmar como pensamento gráfico: a água-forte como decisão incisiva, a água-tinta como construção de clima, densidade e ameaça, o contraste como ética do visível. O livro aparece, assim, como um campo de fricção entre linguagens, no qual imagem e texto formam um imagetext, uma zona híbrida em que o sentido se constrói na tensão, não na redundância.
A apresentação buscará substituir a leitura consagrada de Poty como autor de um “traço forte e dramático” por uma abordagem funcional e analítica: o que cada imagem faz no interior do livro, que problema do texto ela resolve ou cria, que tipo de leitura ela impõe ao leitor.
Ao explorar as relações entre narrativa gráfica, paratexto, tipologia humana e construção do espaço sertanejo, a conferência pretende mostrar que o Canudos dos Cem Bibliófilos não é apenas uma obra rara, mas um laboratório exemplar de como a gravura pode pensar a história, a literatura e a política do olhar. Uma aula em que o livro, enfim, deixa de ser vitrine para se tornar um campo de prova.
Esta programação foi idealizada por Letícia Simão e Clarisse Maria, alunas da Universidade de São Paulo (USP), no contexto da Residência Educativa em Acervos Documentais, extensão universitária realizada em parceria entre a Casa Museu Ema Klabin e USP.
Público geral
Luiz Armando Bagolin
Luiz Armando Bagolin é livre docente em História da Arte Brasileira. Doutor em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, FFLCH/USP. Professor associado e pesquisador do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, IEB/USP, e orientador no Programa de Pós-Graduação em Estudos Brasileiros do mesmo instituto. Pesquisador sobre Arte, Teorias da Arte e Arte Brasileira dos séculos XIX e XX. É artista, curador e crítico de arte. Foi Diretor da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, entre 2013 e 2016.



