Destaque do Mês
08/07/2009
Em homenagem à exposição "O Mundo Mágico de Marc Chagall", a ser realizada na Casa Fiat de Cultura, Belo Horizonte, entre 4 de agosto e 4 de outubro de 2009, e no Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, entre 15 de outubro e 6 de dezembro de 2009, para a qual cedemos em empréstimo a obra "Noivos com trenó e galo vermelho", a Fundação expõe, pela primeira vez, a gravura "Lot e suas filhas", parte da série de ilustrações que o artista realizou para a Bíblia.
Nascido em 7 de Julho de 1887, na pequena cidade de Vitebsk, na Rússia, Chagall era o mais velho de nove filhos de uma modesta família de comerciantes judeus. Sua formação nas artes começou cedo. Seus pais o enviaram ainda criança para tornar-se aprendiz de um fotógrafo da cidade. Aos vinte anos foi para a Academia de Arte de São Petersburgo e, financiado por um patrono, partiu direto para a cidade das luzes - Paris, onde pode desenvolver seu estilo único e inconfundível.
As recordações da cidade em que nasceu combinada com elementos fantásticos e nostálgicos resultaram em uma de suas obras mais conhecidas dessa primeira estadia em Paris: Eu e a Aldeia (1911 - MoMA/NY). Três anos mais tarde, seu amigo e incentivador Guillaume Apollinaire selecionou as obras que marcariam sua primeira exposição em Berlim, em 1914, no início da 1ª Grande Guerra.
De volta à Rússia, Chagall casou-se com Bella, jovem nascida na mesma cidade de sua inspiração - Vitebsk, e trabalhou como adido cultural do governo revolucionário. Criou uma escola de Artes aberta a todas as tendências artísticas modernas. Deixou o cargo em 1922 e partiu para Berlim, onde iniciou sua autobiografia. Os ares da França de novo o atraíram e mudou-se com sua esposa e filha para o país onde passou a maior parte de sua vida e viveu o período mais pródigo de sua produção.
Chagall foi pintor, ceramista e gravurista. Ilustrou entre outras coisas, fábulas de La Fontaine, Almas Mortas de Nikolai Gogol e textos bíblicos. A partir de 1935, sob o impacto da crescente perseguição nazista, suas cores alegres e líricas deram lugar a tons sombrios e pesados. Sua origem judia e a produção recheada de elementos míticos e surreais renderam espaço a sua obra na exposição "Arte Degenerada" organizada pelo III Reich em 1937.
Para fugir da ocupação nazista na França, asilou-se com sua família nos Estados Unidos onde permaneceram até o final da Guerra. Bella morreu e Chagall retornou a Paris três anos mais tarde, em 1947.
Os estudos sobre a obra de Monet e seu segundo casamento com Valentine, devolveram suas cores e subjetividade temáticas. Flores, casais, infância e Vitebsk ganharam nova vida em sua obra. A leveza dessa fase renderam grandes trabalhos. Em 1952 produziu doze janelas de vitral, simbolizando as 12 tribos de Israel para a sinagoga da Universidade Hebraica de Jerusalém. Em 1963 pintou os afrescos do teto da Ópera de Paris. Ainda criou mosaicos para o First National Bank, em Chicago e vitrais para o prédio das Nações Unidas, em Nova York.
Em homenagem à sua obra, foi inaugurado na cidade de Nice, em 1973, o Museu da Mensagem Bíblica de Marc Chagall. Quatro anos mais tarde foi condecorado com a grã-cruz da Legião de Honra pelo governo Francês.
Considerado um dos artistas mais marcantes do Século XX, Marc Chagall morreu em Saint-Paul de Vence, no sul da França, em 28 de março de 1985.
Referências Bibliográficas:
JANSON, H. W. História da Arte, [tradução de J. A. Ferreira de Almeida, Maria Manuela Rocheta Santos, colaboração de Jacinta Maria Matos]. - 5ª. Ed. - São Paulo: Martins Fontes, 1992.
HAFTMANN, Werner. Marc Chagall, - New York: Ed. Herry N. Abrams, 1984.
por Daniela Almeida Atualizado em 22/07/2009






